[transcrição] Como não se tornar um sonífero

Vincent Van Gogh Meio-dia descanso do trabalho 1890

Imagem de capa. Recorte da pintura “Meio-dia: descanso do trabalho”, de Vincent Van Gogh, feita em 1890. Com pinceladas marcadas, um homem e uma mulher, trabalhadores camponeses, dormem sobre um monte de feno, em primeiro plano, com um par de sapatos e duas foices jogados no chão, no canto direito inferior. Ao fundo, no canto esquerdo superior, uma carroça com dois animais comendo ao lado.

Transcrição do podcast NPC 35: Como não se tornar um sonífero

texto de Rodrigo Hipólito e Dennis Almeida

Apresentação

E aí, gente perdida? Tá começando mais um Não Pod Chorar. Eu sou Rodrigo Hipólito e este é um derivado do Não Pod Tocar. Aqui, nós contamos algumas desventuras da vida e tentamos pensar em modos criativos de lidar com elas.

Se você chegou aqui agora e não conhecia o Não Pod Tocar, este é um podcast sobre teoria, história, crítica de arte e temas afins. No nosso feed, você encontra, além dos episódios do Não Pod Chorar, os nossos programas de temporada, com ensaios, entrevistas e bate-papo, e o Pataquadas, no qual a Alana de Oliveira repercute as principais notícias do mundinho da arte.

Nós estamos presentes em todos os agregadores de podcast e nas plataformas comumente usadas para ouvir músicas, como o Spotify e o Deezer. Você também pode ouvir a gente pelo Youtube ou, diretamente, no site notamanuscrita.com.

Em notamanuscrita.com, você encontra a postagem original, com a descrição completa deste episódio. Se você ficar com preguiça de digitar notamanuscrita.com no seu navegador, basta clicar na imagem de capa que, na maioria dos tocadores de podcast, você será direcionade para a postagem original.

Lá, você encontra os links para as referências comentadas no episódio e para os nossos perfis pessoais e oficiais. Quem comanda os nossos perfis oficiais é o Chewie, o primeiro e único cão podcaster. Vai lá ganhar uns lambeijos do Chi Chi. Tanto no Twitter quanto no Instagram, você encontra o Chewie como @naopodtocar, sempre o D de pod no mudo.

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Dados esses recados iniciais, neste episódio, você vai ouvir, além da minha voz, a voz do Dennis Almeida. Talvez, eu quebre um pouco a premissa inicial do Não Pod Chorar, que seria dar soluções criativas para lidar com desventuras da vida. Eu não sei se eu tenho soluções para a minha reclamação de hoje. Aliás, essa seria realmente a premissa do Não Pod Chorar: reclamar.

A gente vai falar, e reclamar, sobre a falsa oposição entre ensino remoto e ensino presencial e aprendizado individual e aprendizado coletivo, que é algo que se tornou bem evidente nesse último ano. Eu ainda não sei o resultado disso. Mas, vamos lá pensar um pouco sobre Como não se tornar um sonífero.

Texto principal

O retorno do ensino presencial, depois de um bom tempo de ensino remoto improvisado e precário, tem colocado algumas coisas em perspectiva e evidenciado desconfortos que sempre estiveram ali. Uma coisa que deveria ser óbvia, é que as experiências de aprendizado são muito variadas. Eu digo isso sem desconsiderar que há variações nas experiências individuais e coletivas. Quer dizer, não dá pra afirmar que o aprendizado é coletivo e ponto. Há aspectos das experiências de aprender que são individuais.

Nesses anos de pandemia, foi inevitável pensar sobre isso. Afinal, uma das coisas que mais impactaram o trabalho de ensino formal, durante o improviso do ensino remoto, foi a ausência da experiência coletiva presencial.

O argumento da necessidade de socialização para o desenvolvimento integral é inquestionável. As maneiras como essa socialização vai acontecer, são diversas e podem ser discutidas. Mas, não dá pra excluir a socialização e isso é ainda mais forte na Educação Infantil e nos primeiros anos do Ensino Fundamental.

Eu fiz essa pequena introdução cheia de dedos porque o que eu vou falar em seguida é meio complicado de afirmar em um contexto como o que a gente vive hoje. Se a situação do ensino formal já estava ferrada antes, agora, o buraco parece impossível de ser ignorado. Mas, eu não me iludo quanto a isso. A gente vai conseguir, sim, ignorar esse buraco e, de repente, continuar cavando.

Bom, vamos ao ponto.

Boa parte da minha vida como estudante foi desagradável, algumas vezes traumática, e eu não tenho dúvidas de que eu seria uma pessoa mais feliz se eu não tivesse passado por esse tipo de socialização. Honestamente, eu queria muito que meu caso fosse uma exceção. Mas, está mais perto de ser a norma.

Tem uma piada triste que funciona muito bem como exemplo disso. Eu disse que é uma piada, mas não se trata de uma situação ficcional narrada de modo engraçado. É uma piada porque a gente consegue rir dessa situação real.

Toda a vez que alguém inventa de fazer uma postagem pública para expressar as suas saudades do Ensino Médio ou dizer que aquela foi a melhor época da sua vida, as respostas aparecem de imediato. Eu acredito que você consegue imaginar que tipo de respostas são essas.

As pessoas se sentem pessoalmente atacadas. Afinal, que tipo de pessoal tem vontade de voltar para o Ensino Médio? Você precisa ter tido uma condição extremamente específica para que essa fase tenha sido a melhor da sua vida.

Somente depois de adulto eu pude resolver os problemas que a socialização escolar criou em mim. O medo constante, embora controlado, de estar em espaços destinados às atividades coletivas, a vergonha intensa (que não superei até hoje) de fazer qualquer tipo de atividade física em público, a constante sensação de ser julgado e a quase certeza de que eu também vou julgar todas as pessoas que estiverem à minha volta, a competição dissimulada, a exibição de diferenças de classe sem qualquer intenção de desfazer hierarquias e injustiças.

A experiência coletiva promovida pela escola pode até ser louvada como um diferencial contra o aprendizado individualizado. Só não dá pra esquecer que essa experiência coletiva, quase sempre, é uma merda meritocrática que só ferra com a cabeça de estudantes. Depois vem o povo achar estranho que a maioria das pessoas adultas prefira levar um soco na cara do que responder perguntas em público.

Eu fiz aquela pequena introdução só para poder dizer isso sem criar confusão. Quer dizer, não quero que essa fala pareça um simples ataque à experiência coletiva da escola. Em parte, isso é um ataque à experiência coletiva da escola. Mas, esse ataque não desconsidera que haja boas práticas.

Eu queria muito acreditar que a gente vai conseguir corrigir alguns dos erros que sempre estiveram presentes nessa experiência coletiva. Mas, não acredito nisso. Estruturalmente, a escola atual não me parece ter muitas chances de funcionar. Ainda que isso não tenha qualquer relação com profissionais da Educação, eu sei que algumas pessoas que trabalham com a área, e normalmente não são docentes, ficariam muito felizes em manter esses problemas, em manter a escola ineficiente. Essa ineficiência, não dá pra esquecer, só vale como manutenção de desigualdades de classe.

Agora, isso guarda outro problema. Tornar a escola eficiente não é algo bom. O discurso da eficiência é outro erro. E assim como há profissionais não docentes que desejam e trabalham para manter os estratos sociais estáveis em suas injustiças, há quem salive com a ideia de enfiar estudantes em baias durante as aulas e liberar uma vez por dia para o banho de sol.

Esse mesmo tipo de gente maníaca por lucro, disfarçada sob o discurso da eficiência, quer aproveitar o momento para trocar o custoso ensino presencial pelo ensino remoto, mais barato e sem docentes.

Se você juntar o pior dos dois mundos, nós teríamos as pessoas pobres mantidas no ensino presencial insalubre e traumatizante, e as pessoas ricas jogadas para o ensino individualizado, remoto e eficiente. Para a pessoa doente de ganância e soterrada pela mais leve sombra de transformação social, esse é o paraíso. Afinal, desse modo, você continua a gerar pessoas exploradas e que têm o único sonho de se tornarem ricas e pessoas ricas alienadas da humanidade.

Ou melhor, essas duas linhas são tão alienantes quanto, pois promovem a desumanização através da Educação. Uma educação desumanizadora. Se isso não te assusta, eu nem sei mais o que eu poderia te dizer.

Mentira, eu sei sim. Não exatamente o que poderia te assustar com relação ao futuro das escolas. Mas, a gente poderia falar mais sobre essa falsa disputa entre ensino remoto e ensino presencial. Tem muita coisa ali, no meio desse arremedo de dicotomia.

Pra continuar, eu quero aproveitar um ótimo fio que o nosso querido Dennis Almeidafez outro dia:

Ontem um tweet desabafo de uma professora sobre alunos dizerem, ou escreverem, que aprenderam mais em 5 minutos em um vídeo de YouTube do que em um mês na sala de aula… Uma breve conversa com a @ntsnaleatorias me fez ir dormir pensando no assunto. Vamos lá…

Dou aulas desde 2002 (pois é, fazem quase 20 anos…) e sei o quão ingrata pode ser a nossa profissão. Trabalhei com turmas de Fund. II, Ensino Médio, Ensino Técnico, EJA… Na maioria das vezes, uma das maiores preocupações era sobre captar e manter a atenção dos alunos em aula.

E uma coisa que evoluiu muito nestes anos foi a concorrência com outros meios de obter informações. Em 2002 era “Professor, vi isto no Discovery…”, “Professor, vi na TV”. Hoje é “Profe, vi no canal tal…” “Profe, no jogo tal é diferente…”

Se por um lado, eu me identifico com a angústia da professora, por outro, conheço profissionais que praticam a chamada Educação Pública com enorme responsabilidade e qualidade, como é o caso do @Normose_ , @brunorosa82 , @profanelize e o @opedrorenno

Quando os canais de YouTube surgiram, claro que percebi que haviam canais que poderiam muito bem ajudar e complementar o meu trabalho, como o caso dos citados. Nestes anos de pandemia, não titubeei em indicar vídeos sobre os conteúdos trabalhados em sala.

Então sim, pode e deve haver parceria entre professores que estão nas plataformas de vídeo e os que estão em sala. Mas também é notório que existem YouTubers que ao invés desta parceria usam o discurso do “isto você não ouviu do seu professor”, “aqui você aprende brincando”.

Sem contar os que abrem mão do rigor técnico em favor do entretenimento ou mesmo da desinformação. Acredito que faz parte do trabalho do professor fazer alguma curadoria de conteúdo relativo à sua aula. Sugerir conteúdo de qualidade funciona melhor que falar mal do formato em si.

Mas também sei o quanto é desgastante ter que preparar e dar mais de 30 aulas semanais, ser pressionado para não atrasar o conteúdo, fazer plantões, corrigir avaliações e ter que concorrer pela atenção de um aluno com um vídeo com animações e piadas roteirizaras milimetricamente.

Problema, obviamente é mais da estrutura, ou falta dela, que exige que professores sigam trabalhando sempre exaustos e por outro lado são responsabilizados quase que exclusivamente sobre a falta de efetividade dos atuais modelos escolares.

Sempre é professor que não sabe chamar a atenção do aluno. Sempre é o professor que não saiu do século XIX. Sempre é o professor que esconde informações dos alunos. Ao fim e ao cabo, os dedos sempre são apontados para quem está no chão da escola e ao pé da lousa.

Criou-se um imaginário onde o natural é que o professor seja esta entidade que trabalha por amor e não é difícil ver a romantização dos improvisos que muitas vezes precisamos fazer e assim naturaliza-se a precariedade das condições de trabalho da maioria.

Outro grande problema é a noção de que o processo de ensino e aprendizagem deve ser “divertido”. Não é bem assim. Quando penso em uma aula, foco na sala que irei trabalhar (público) e no conteúdo que preciso trabalhar (mensagem). Daí escolho o caminho que penso ser mais efetivo.

Este caminho pode até ser divertido, mas nem sempre precisa ser. A sala de aula não é uma plateia de comédia e nem um templo religioso. A sala de aula é laboratório. É local de trabalho, é local de construção. E aprender, tanto quanto ensinar, pode ser um processo incômodo.

Incômodo sim. Qual foi a sua sensação ao perceber a dimensão real do Holocausto? Qual é a sua sensação ao entender as consequências humanas do mau uso dos recursos naturais? Enquanto professor de História, minha primeira preocupação é dar uma boa aula, não uma aula divertida.

Então, vamos lembrar que existem sim pessoas que fazem um trabalho incansável na esfera da Educação Pública, no sentido do acesso a todos. Se pensarmos bem, boas video-aulas de História, Geografia, Biologia, Química, Literatura, Física são também peças de Divulgação Científica.

Separemos o joio do trigo e façamos da curadoria deste material parte do nosso trabalho, e quem sabe assim, ele ganhe parcerias, ao invés de concorrência.

Também lembremos que é injusto cair em cima de profissionais que são pressionados ao limite e que sentem-se frustrados ao constantemente terem seu trabalho comparado com vídeos, não de Educação Pública, mas que se preocupam em entreter sua audiência com alguma informação.

No caso de ontem, a maioria das pessoas ao invés de buscar entender os tweets da professora, partiram para o ataque. Uma busca simples sobre o tema lhes entregará todo tipo de mensagem desagradável direcionada a ela, em comportamento de enxame.

Espero ter contribuído para o debate. Se é professor e chegou até aqui, pense com carinho em como usar bom conteúdo disponibilizado por bons profissionais em suas aulas. Se é aluno ou audiência de algum canal de aulas e chegou até aqui, pense em como valorizar esta dinâmica.

O Dennis apontou para vários dos aspectos que tornam essa discussão complexa, no cenário atual. Em cima disso, eu quero voltar para as ideias de experiência coletiva satisfatória e experiência coletiva insatisfatória.

A minha vida de estudante, como eu disse, foi uma merda. Se eu deixar de lado a parte em que considero o atual modelo escolar dominante como uma instituição de violência, dá pra pensar mais friamente na questão. Quando eu fiz isso, compreendi que minha maior dificuldade de aprendizagem com a escola não era relacionada com o trabalho de professores e professoras ou a obrigatoriedade de convivência pacífica com meus agressores. Meu maior problema, com relação ao aprendizado nas escolas, é a aplicação de metodologias gerais e universalizantes.

Na escola, a experiência era sempre coletiva. Era sempre intensamente coletiva. Se a pessoa tem uma capacidade absurda de concentração, parabéns, pega lá sua estrelinha. Para mim, a profusão de elementos dissonantes sempre fez com que minha concentração nas aulas fosse uma tarefa sofrida.

E eu não falo de crianças fazendo bagunça. Embora o barulho incomode, é esperado que as pessoas interajam, quando você cria um ambiente para que elas interajam, seja lá qual idade elas tiverem.

Numa boa, eu até gostaria de prestar atenção nas aulas. Mas, desde o pré-escolar, minha cabeça estava ocupada demais, pensando em como não apanhar de alunos violentos, como chamar ou não chamar atenção da pessoa que me atraía, como não passar por qualquer situação constrangedora, como cumprir compromissos de amizade e por aí vai.

Não havia momentos de solidão ou de redução da experiência coletiva. Em parte, sei que eu comecei a me esconder na biblioteca, fugir da escola ou passar o horário de aula tomando café e conversando com a cozinheira por conta disso.

As quatro horas de escola eram quase como a injeção de um estimulante emocional artificial direto na veia, com efeito imediato e que sempre dava uma onda muito pesada.

Não tinha Youtube na época e eu só teria acesso a computadores e internet depois de entrar para a graduação. Mas, eu sei que isso não resolveria o meu problema. Se tivesse acesso a esses recursos durante minha infância e adolescência, eu cairia no equívoco de acreditar que vídeos roteirizados e engraçadinhos seriam o suficiente para o meu aprendizado.

Só o vídeo e eu, sem todas aquelas preocupações, sem todos aqueles estímulos. Quase como se eu tivesse alguém que falasse diretamente para mim, só para mim. Só que, isso não é muito diferente do problema metodológico que eu comentei agora a pouco. O que eu disse foi que a experiência coletiva das nossas escolas funciona através de metodologias universalizantes e isso é um problema.

Docentes são obrigades a fazer isso. Afinal, com uma turma de 30 ou 40 crianças, adolescentes ou adultos na sua frente, você precisa, como disse o Dennis, tentar dar a melhor aula possível. Você tira uma média, estabelece objetivos básicos, estipula um método de trabalho e aceita que qualquer coisa que escape disso vai cair na conta de condições adversas, problemas de aprendizagem e por aí vai. Você começa a criar puxadinhos para a sala de aula dita “normal” e nem percebe que todas as ferramentas que tentam dar conta das condições de aprendizagem que escapam daquela norma, servem para empurrar de volta para a norma.

Chega a um ponto em que você nem vai ser capaz de perceber que criou um monstro cheio de tentáculos, capaz de agarrar qualquer pessoa que escape da norma e trazê-la de volta para os moldes do que deveria ser uma pessoa apta para ser bem-sucedida em sociedade.

Se isso não parecer suficientemente ruim, tem mais uma coisa que você não será capaz de perceber: você não nota que sequer existe a maldita norma. Estudantes que se encaixaram e aceitaram a metodologia universalizante fizeram isso por estarem em condições confortáveis, externas à sala de aula, ou como mecanismo de defesa, o que vai fazer com que carreguem aquela insatisfação para o resto da vida.

Tá, isso parece ruim. Mas, ainda tem a parte em que isso fica pior.

Essa mesma situação acontece com os vídeos roteirizados do Youtube. A diferença é que, na sala de aula, a gente ainda consegue notar que o universalizante não funciona. Agora, com esse tipo de ensino, estudantes parecem felizes e é bem mais difícil de notar o erro. Onde está o erro? Lá no começo, quando eu falei do crime perfeito. Mantenha as condições desiguais, promova a educação desumanizadora, e a estrutura social de contínua exploração está garantida.

Eu queria ter respostas simples pra esse tipo de problema que é estrutural. Mas, eu não tenho e duvido que alguém tenha.

Como acontece em muitos desses episódios, a gente falou muito a partir da nossa experiência pessoal, como estudantes e professores. Eu espero que você não escute isso como se fosse uma crítica super profunda, pois não é.

Eu desejo, de verdade, que a sua experiência como estudante seja bem diferente da minha.

A escola, hoje, nem me soa mais como na analogia que eu fiz agora a pouco. Esse tipo de experiência coletiva não me parece mais uma injeção de alguma droga estimulante que deu uma onda ruim e eu só quero que passe logo.

Acontece que eu sobrevivi àquela experiência e encontrei ferramentas e métodos adequados para o meu aprendizado, que é individual, mas também coletivo.

Quando eu entrei para a graduação e comecei a entender que meu problema de aprendizado tinha relação com metodologias universalizantes, aquela analogia deu lugar para outra.

Aulas, por mais interativas que sejam, batem em mim como um verdadeiro sonífero.

Um vídeo de Youtube, por mais bem produzido e engraçadinho, vai sumir da minha tela se durar mais de dez minutos.

Até podcasts caem nessa conta. Se o episódio for apenas com uma voz, há um grande risco de que eu comece a percebê-lo como som ambiente. O que é engraçado, pois a gente já lançou uma pá de monólogos aqui.

É arriscado e eu não tenho certeza sobre isso. Mas, eu fico com a impressão de que a escola, como instituição, só quer fazer a gente dormir, principalmente se a gente acreditar que não está dormindo.

Às vezes, me incomoda até a metáfora de que a escola alimenta os sonhos. Isso é meio bobo. Mas, eu não consigo deixar de pensar que os sonhos se dissolvem quando a gente acorda. Então, ainda é como se a escola tradicional quisesse fazer a gente dormir e, se possível, continuar sonhando pelo máximo de tempo possível, mas, sem a intenção de forçar as mudanças sistemáticas que são necessárias para concretizar esses sonhos.

Se você me disser que eu tô exagerando e que tem muito trabalho bem-feito para uma educação libertadora nas escolas, eu peço que você volte, escute de novo a fala do Dennis e se pergunte se todas essas soluções e exceções não passam por jogar toda a responsabilidade em cima de docentes.

É certo que profissionais da educação competentes e com responsabilidade sabem que daria para transformar a escola e entendem que não dá para fazer generalizações se a gente quiser promover experiências coletivas positivas.

No meu caso, meu anti-sonífero é o diálogo. Eu gosto de conversar. Meu aprendizado funciona muito bem em uma mesa ou videochamada com duas, três, quatro ou cinco pessoas. Se for gente demais, o diálogo morre, ou sobrevive na experiência de algumas vozes dominantes.

Acabei de pensar em uma frase triste e, infelizmente, é com ela que eu vou encerrar.

Como professor, toda vez que preciso pedir silêncio em uma turma com mais de vinte estudantes, eu só acordo depois que a aula acabou.

Encerramento

Taí! Encerrando mais um Não Pod Chorar. Gostou? Não Gostou? Fala com a gente. Você pode entrar em contato com a gente através do nosso e-mail, que é naopodtocar@gmail.com, ou dos nossos perfis pessoais e oficiais, que estão todos linkados na descrição completa deste episódio, na postagem original, em notamanuscrita.com.

Em notamanuscrita.com você encontra, além dos episódios de todas as nossas temporadas, textos de processo, resenhas, crônicas, contos, críticas, ensaios, artigos acadêmicos e diversas outras produções.

Aproveita que você tá aí, e confere o finalzinho da postagem. Lá, você encontra uma chave pix e o link para o nosso picpay. Acesse picpay.me/naopodtocar e considere apoiar financeiramente este projeto.

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Este foi o primeiro Não Pod Chorar desse ano e eu tenho certeza de que a gente ainda vai ter muita coisa pra reclamar, felizmente ou infelizmente.

Por hoje é isso, se nada der muito, mas muito, muito errado, semana que vem, a gente tá de volta. Valeu! Falou!

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