[texto de processo] MIRIRIM #8

Uma boa parte das postagens que você encontra aqui, no Nota, são sobre processo criativo. Isso tem relação com a razão pela qual abrimos este lugar e também com o fato de que os processos são sempre mais numerosos (e mesmo mais interessantes) do que os resultados.

Acesse apenas o que você consideraria um “produto” realizado por artistas e você excluirá boa parte do fator humano que aquela coisa carrega. Essa coisa de a obra “falar por si” é uma balela tão grande da crítica desejosa de ordem, que artistas continuam a existir e precisam se alimentar.

O texto de processo que você lerá a seguir é o Marcelo Dakí. Esse texto chegou pela newsletter DAKÍCORP: Atritos. Imagino que a intenção inicial de Dakí fosse apenas uma apresentação da MIRIRIM #8. Como acontece com muitas das mensagens enviadas por esse artista, as palavras, imagens e ideias pegam desvios e constroem trilhos próprios no meio do caminho.

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Terminei a MIRIRIM #08 ontem de madrugada!

Texto de Marcelo Dakí

Emoção largada. Ilustração. Marcelo Dakí. MIRIRIM #08, p. 17, 2020.

 

O pdf já está na pasta do drive (para apoiadores), e pra quem quiser ler online já tá tanto no tapas quanto no issuu. O impresso vai pra gráfica e pros correios até dia 10 de novembro. Vou ter de esperar a virada do mês porque vai ter sorteio do envio da tela e isso sempre pesa um pouco.

No fim dessa MIRIRIM, na página sobre “o próximo número” (e em outras também, isso aconteceu um bom tanto de vezes nessa edição) eu começava a fazer alguma coisa, a descrever um plano, uma lista de intenções, considerava a página pronta mas acabava sempre achando nadaver, sumindo com tudo na transparência e recomeçando através de iconografias mais pessimistas.

Isso é um processo muito esquisito – pensando na minha linha de raciocínio externa ao registro na MIRIRIM – porque tenho pensado em algumas coisas que ao mesmo tempo parecem significar tanto “É isso, encontrei um lugar, um sistema pra falar das coisas, me comunicar com as pessoas” quanto “Mas e se eu for uma farsa enorme? E estiver sendo só inconveniente? Qual a necessidade da existência desses objetos no mundo? Qual a pertinência de ilustrar um podcast?”. E eu realmente não sei, não tenho uma resposta definitiva ou um argumento para permanecer em atividade. Ficar só no “eu gosto” também não ajuda muito.

Mas tenho uma sensação: há-algo-ali. Sempre que começo a pintar um quadro é essa sensação a guia da ação: há-algo-ali, mas agora não dá pra ver. E quando dá pra ver não necessariamente dá pra entender. Mas aos poucos a coisa vai se formando e aí sim dando margem a interpretações, entrelaces com os outros-que-vêem-e-entendem-ou-não, criação de relações e desdobramentos – mas só a partir do momento do ato de socialização dessa coisa sem nome. Enquanto tá só na cabeça é febre, frenesi e medo, mas fora dali é (ou pode ser) mais do que isso – ou algo totalmente diferente.

Tenho pensando nisso porque comecei a elaborar um número especial da MIRIRIM só com pictopods, todo colorido, em papel bom, feito todo em gráfica a partir das artes já existentes. A ideia é organizar isso até o fim do ano pra já ter pronto no fim de dezembro/início de janeiro. Ainda não sei exatamente como vai ser, como organizar os valores, se coloco uma categoria de recompensa a mais aqui na campanha ou crio uma específica pra isso (o valor da montagem do impresso com essas características fica entre 6 e 9 vezes o valor da MIRIRIM preto-e-branco que tenho feito, daí pra viabilizar isso preciso de uma organização mais calma de tudo).

Pensado nisso porque, ao inventar essa publicação, preciso ir atrás de cada núcleo de produção de cada podcast e fazer a proposta, pedir autorização (não acho que seja justo sair fazendo sem falar nada), explicar do que se trata, quais as intenções, ponderar as contradições que o ato de recortar o que quer que seja envolve, saber se a pessoa segue ou não interessada no que faço, dizer que não vai envolver gasto ou divulgação da parte deles, que não é visando lucro, que a proposta é viabilizar um item interessante no mundo e distribuir pra quem quiser, que tenho-vontade-de-partir-pra-pictopods-de-podcasts-gringos-então-olha-só-vamos-caminhar-lado-a-lado. E daí isso tudo é falar de algo que ainda não existe, argumentar em defesa do zine invisível. E eu nunca nem trabalhei com gráfica online. Nem da BLUEBIRD fiz impresso.

Enfim.
Saiu a MIRIRIM #08.

(clique na imagem acima para ler no tapas ou aqui para ler no issuu)

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Um pensamento sobre “[texto de processo] MIRIRIM #8

  1. Pingback: NPT S03E17: Jongo para pensar a Educação – NOTA manuscrita

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