Relatos de uma historiografia da arte aparentemente simples, mas loucamente emaranhada

E lá estavam Vasari, Berenson, Longhi, Malraux, Wölfflin, Panofsky, Belting, Danto, Gombrich, Didi-Huberman e Mitchell tagarelando todos ao mesmo tempo. Pra piorar a situação, Gombrich falava tanto de Warburg que já me perdia entre os dois. Sabe a Torre de Babel? Mais ou menos assim. Alguns querendo impor sua visão, jogar toda a arte num caldeirão e misturá-la em sopa. Outros achando que a sopa era intragável, e que deviam levar a receita para ser analisada não mais por um nutricionista, mas quem sabe por um psicólogo, um psicanalista e mesmo um arqueólogo. Será que não era tempo de pensar o que era uma sopa? Que confusão! E vem Danto falar das Campbell’s e atiçar ainda mais o emaranhado de discursos.

Vamos por ordem nisso! Solução 0003: método de onde muitos partiram e que talvez no ajude, já que é uma prática comum de onde nos originamos. Cada um escreve num papel 5 tópicos (“Por que só cinco?” “Não é simplista? “Não é um posicionamento totalizante?” “O que é um tópico?” …); 5 tópicos! do que consideram importante para seu pensamento e daí discutimos tudo cronologicamente. Caso encontremos relações de causa e efeito, então poderemos determinar linearmente o lugar de cada um.

Valendo!:

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Por Deus, o que foi que fizemos?!

Ainda bem que paramos antes de se tornar ilegível (o inteligível já se distanciou há muito tempo). Se já é quase impossível resumir uma teoria em 5 tópicos (mesmo usando estratégias, não é Panofsky e Danto?), quem dirá conseguir ter uma visão total e cronológica dos fatos, como se tudo só dependesse do tempo. Não que o tempo não seja essencial (há outras teorias sobre isso), mas se começássemos a questionar profundamente cada teoria, criaríamos novas teorias encima dessas relações de teorias (Historiografia Comparada da Arte? o.o).

Enfim, mas depois do relato da experiência 0003, uma coisa é certa: é ao pensar e questionar outras produções, seja de arte ou de história da arte, que novos pontos são colocados nessa grande construção. E não pensemos, dentro deste pensamento, que o próprio pensamento sobre arte ou sobre história da arte está à parte, guardado em cúpula de vidro. Não é por acaso que as mudanças na historiografia da arte relacionam-se com os caminhos da história e da arte, e posteriormente, com os caminhos de outras disciplinas, da cultura, da sociedade, das curiosidades e da vida daquele que escreve. O que seria do pensamento de Malraux se ele não tivesse falido e ido com sua esposa viajar pelo oriente? O que seria do pensamento de historiadores como Berenson, Longhi, Wölfflin e Panofsky se não tivessem passado pelas adversidades das guerras mundiais, das crises de ideologias? E o que seria de mim se não tivesse passado por uma prova na universidade sabendo, meia hora depois, em meio ao arroz e feijão, construindo meus pensamentos, que eu havia “errado” aquela questão?

***

Seguem algumas anotações livres feitas a partir da leitura de textos para o curso de Teoria e Metodologia da Arte [ou Teorias da História da Arte], ministrado pela profa. Dra. Ana Magalhães, no programa de Interunidades em Estética e História da Arte, no Museu de Arte Contemporânea, Universidade de São Paulo (MAC-USP).

VASARI (Vida dos artistas, 1550)  X  BERENSON (Italian Painters of the Renaissance, 1932)

LONGHI (Breve mas verídica história da pintura italiana, 1914 )   X  MALRAUX (O museu imaginário, 1951)

WÖLFFLIN (Conceitos Fundamentais da História da Arte, 1915)  X  PANOFSKY (Significado nas Artes Visuais, 1939-40)

BELTING (Art History after Modernism, 1983)  X  DANTO (Após o fim da arte: a arte contemporânea e os limites da história, 1995)

GOMBRICH (Aby Warburg: na intellectual biography, 1970)  X  DIDI-HUBERMAN (Devant l’Image: Questions posées aux d’une Histoire de l’Art, 1990)

MITCHELL (What do Pictures Want? The Lives and Loves of Images, 2005).

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