Achei Momo!  

Existem vários motivos para se comprar um livro: a história é cativante, as imagens brincam com a imaginação, você já tem alguns e precisa (quer?) completar a coleção, o trabalho editorial… bem, há aqueles que compram o livro pela capa, pelos espaçamentos, pelo cheiro do papel, pela textura. Há gosto para tudo, já que entramos nos ditados. Mas o que o mercado editorial nunca pode prever como fator de venda são as estranhezas pessoais. Vejamos um exemplo, que ainda não é nosso assunto central.

Chove, chove muito. A sombrinha de Ariadne já é inútil. Não há combinação mais maléfica para uma sombrinha que vento e chuva, ou melhor, vento, chuva e granizo. O jeito é esperar na primeira loja atraente que lembre xícaras de chá e cobertor. Uma livraria! As poltronas do primeiro andar são disputadíssimas. Quando a chuva acaba, pode-se largar a revista e correr para a rua. No segundo andar, ela a espera. A poltrona de sempre, recostada num canto vazio, escuro, apertado com poucos livros que quase invadem o corpo sentado. Dessa vez Ariadne teve cuidado com a cabeça. Não que ela fosse alta de verdade… Sentou e o primeiro livro que seu olho pode alcançar com curiosidade veio à mão. “Hum, vamos ver”. Abre em uma página aleatória e a lê. Intriga. “Como pode um personagem escolher essas ações?” Vai para o início da história para entender a personalidade dele, e Ariadne perde-se na história. Enquanto isso, o granizo engrossa, felizmente. 43 páginas depois e a tempestade passa. Dá para ouvir a movimentação das pessoas tentando sair pela porta estreita da loja. Ariadne espera mais uns minutos, não custa terminar o capítulo. O telefone toca. Não pode mais se atrasar para o compromisso, eles  a esperam. “Droga, o livro é bom”. Ela o abandona com o coração partido, desce as escadas, olha para suas mãos vazias e parte. Ela não podia comprar o livro por N motivos que não precisamos listar. E mesmo que ela encontre outras chuvas e consiga terminar de ler esse livro, Ariadne certamente vai comprá-lo. Não se deixa memórias para trás, aquelas páginas não são mais um livro. Então nos perguntamos: como a editora poderia contar em suas estatísticas de venda com o fator climático? Será que em períodos chuvosos as vendas aumentam?

Claro, o livro em si tem seus méritos. Foi preciso certo cuidado para que a vista o alcançasse, mas isso nunca teria acontecido se não houvessem tantos fatores casuais. Vamos então para o ponto da nossa questão: Momo.

Momo não é como Ariadne, ou Dionísio, ou tantos outros nomes que surgem porque são nomes e guardam suas histórias. Momo não se refere a zombaria e momices que ganharam espaços laicos desde a Idade Média, nem rei ele é. Momo é sinal de fofura, de “porquera” (entenda porqueira), como um vira-lata pedindo comida com aquela cara porca. Isso é Momo. Uma bochecha grande que guarda sorrisos bobos, mas que no fundo não zomba de nada. Basta dizer que gosto da palavra e da ideia momo. E só para esclarecer, lê-se /Mômo/. Nada de /Momó/, isso é coisa de camarão!

Pois bem, o que o mercado editorial não poderia contar é que numa determinada família, Momo é especial, mesmo enquanto palavra. Então você entra na livraria e lá está: “Ache Momo”. Ahhhhhh, para, vai! Só isso que pensei por mais de uns 10 minutos.

Momo, o do livro, é um cão, um lindo border collie preto e branco, que faz jus ao nome. É um livro de fotografia, que ao mesmo tempo é uma brincadeira de esconde-esconde. Momo se esconde nas fotografias e o leitor deve achá-lo.

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Tenho esse livro há mais ou menos 6 meses, mas vi apenas 15 fotografias. Às vezes passo as páginas rapidamente para não encontrá-lo. Parece bobagem, mas não quero que ele vá embora tão rápido. Depois que você o encontra pela primeira vez, seu cérebro parece guardar bem o encontro e toda vez que olho, já acerto o quadrante onde ele está. Apesar de ser um livro de fotografia, eu o guardo junto dos livros infantis. Não é bem a esse público que ele atende, como deixa claro a editora na descrição catalográfica, mas é um livro que se devora rapidamente, que precisa ser guardado para um momento, como os infantis. Claro, nesse caso porque não me incluo no público infantil.. esses devem pegar os livros toda hora, amassá-los e babá-los o quanto for necessário.

Mesmo que a equipe editorial não possa contar com essas coincidências na hora da compra, pode ainda arriscar-se em novas ideias. Que é o que acontece em “Ache Momo”. Como estou abaixo do equador e não sou muito dispersa digitalmente, não sabia que Momo já era um cão famoso no Instagram. Andrew Knapp, o autor, fotógrafo e amigo de Momo, já brincava na internet com as fotos de “Ache Momo”.

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 E tudo não passou de uma brincadeira…

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Não, brincadeiras não passam! Foi isso que a editora Intrínseca reafirmou. Trouxe do meio digital para o suporte do livro as imagens de Momo em seus passeios. À primeira vista, um livro de fotografias, à segunda, um cão chamado Momo. Muitas miradas depois, duas histórias: uma fofa, de um cão que se esconde para ser achado, e outra, não menos comovente, ao menos para mim, dos laços entre três, senão mais, mídias. Internet, fotografia e livro, todos brincando com Momo.

E o que eu queria dizer ao final de tudo isso? Que realmente gosto da palavra Momo.

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http://gofindmomo.com/

https://instagram.com/andrewknapp/

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