[resenha] Siete llaves para valorar las historias infantiles, parte 6

Resenha. Siete llaves para valorar las historias infantiles. Teresa Colomer.

Imagem de capa. Livro “Siete llaves para valorar las historias infantiles”, organizado por Teresa Colomer.

Resenha escrita por Fabiana Pedroni.

Referência completa do livro resenhado: COLOMER, Teresa (org.). Siete llaves para valorar las historias infantiles. Madrid:Fundación Germán Sánchez Ruipérez, 2002.

O livro organizado por Teresa Colomer estabelece sete chaves para atribuir valor ao livro infantil. Na parte 5, falamos sobre a quinta chave, como se avalia o desenvolvimento dos personagens e a relação deles com o leitor. Agora, vamos trabalhar a sexta chave e no final deste post você encontrará o link para a última chave!

***

A sexta chave (capítulo 6), fala sobre “Ampliar a experiência do mundo próprio”. Quer dizer, como que a leitura supõe uma ampliação da experiência do sujeito ao entrar em contato com “outras vozes que traduzem outras experiências, outras maneiras de entender a realidade em que a visão de si mesmo está inclusa.” (p.141).

Este capítulo trata de uma ampliação do conhecimento informativo, especialmente de contexto distantes do leitor: distante no tempo, no espaço, e social e culturalmente.

Fala-se da experiência no sentido informativo do texto, o que o texto informa para a criança que amplia sua compreensão de mundo e de si mesma?

Primeiro, o livro organizado por Teresa Colomer, aponta a escolha dos temas a serem informados na literatura infantil. Todos os assuntos são possíveis, não se deve diminuir a capacidade da literatura infantil de lidar com temas complexos. Contudo, ela o faz através de suas próprias ferramentas, com muita cautela e responsabilidade. O eleger dos temas tem uma relação muito profunda com a cultura e com o papel social da literatura infantil. Ou seja, a interpretação educativa diz respeito ao “que a sociedade pensa – ou gostaria que fosse pensado – sobre os eventos que são relatados” (p.142).

Segundo se aponta como a experiência com a leitura apresenta aquilo que é distante da criança leitora. A experiência com o outro pode vir pelo trabalho do narrador, que produz empatia no leitor, como dizer “eu também já fui criança” e, pelo passado distante do narrador, a criança passa a aproximar-se de um outro tempo histórico. Os personagens também podem ser uma fonte de aproximação da criança com outros contextos, em que o personagem vá apresentar um outro mundo desconhecido até então pela criança.

Apesar do livro aqui resenhado não citar, acho importante lembrar do livro Malala, a menina que queria ir para a escola. Escrito pela brasileira Adriana Carranca, o livro é recomendado para crianças entre 10 e 12 anos e nos apresenta a história de Malala, adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, baleada por membros do Talibã aos catorze anos por defender a educação feminina. O livro apresenta a história da região do Vale do Swat, e questões históricas e culturais importantes para se compreender a vida de Malala.

Mas, não são só elementos internos ao funcionamento do texto, como narrador e personagem, podem apresentar diretamente temas e contextos distantes. Destaca-se também a importância das traduções na literatura infantil. A criança passa a ter esse contato através da tradução de uma obra de cultura diferente daquela do leitor ou de um outro momento histórico por um livro antigo traduzido. “No caso das traduções, há a vantagem de realmente dar voz a uma perspectiva cultural diferente, sem pretender imitá-la” (p.149).

Há alguns recursos para se facilitar a informação e a experiência do outro. Há que se pensar onde estas informações estarão localizadas, se de forma marginal, em nota de rodapé, em prólogos, apêndices; ou se serão informações contextuais na ilustração ou em parágrafos descritivos, que interrompem a narrativa (p.150).

Essas interrupções para trazer informações contextuais podem levar o leitor a ignorar e saltar a leitura, a não ser que se cative sua atenção ou mostre que a informação é importante para a narrativa. Pode-se recorrer também à adição de um personagem, que apresenta estas informações. Ou fazer com que a informação seja desejável e descoberta pela criança, através do humor, por exemplo.

Este capítulo fala de uma mediação informativa que diz respeito mais a uma literatura de maior idade para as crianças, não de livros de primeira infância. Essa mediação informativa pode ser um modo de ampliar a experiência da criança leitora.

Por fim, o capítulo traz os “Problemas da informação e avaliação explícita” (p.152-153):

– Pode ocorrer que um livro seja basicamente informativo. Ainda que utilize uma estrutura narrativa, não se configura como ficção literária. O leitor precisa ter ciência disso, para não criar expectativas literárias que serão frustradas;
– Pode ocorrer que a informação dada seja gratuita, ou seja, sem cumprir nenhuma função narrativa. Qual a importância para a narrativa dizer que a história acontece no século XIV, se nada da história aborda um imaginário desse século, não justifica a escolha temporal?
– Pode ocorrer que a informação seja mal documentada. Como ocorrer algo que seria impossível em um determinado tempo (bomba atômica no século XI). Será fornecida uma informação verossímil em ficção, mas que apresenta uma realidade falsa que o leitor pode acreditar ser real;
– Pode ocorrer que o texto seja sobrecarregado de moralidade e se torne um sermão, que não amplia a experiência leitora. “Outras formas de comunicação, como o diálogo, por exemplo, parecem melhores que a instrumentalização da literatura para endossar um discurso. É melhor adverti-lo em seguida…, ou desaconselhar sua leitura” (p.153).
– Pode ocorrer que o tema do livro esteja muito distante dos interesses e possibilidades de compreensão do leitor. O leitor será impactado de forma desagradável, ficará desorientado ou irritado. O esforço por tornar um tema acessível pode ser inútil, quando ele não é interessante;
– Pode ocorrer que um livro não tenha êxito em trazer informações: os diálogos soam falsos, a descrição é demais, há interrupções constantes da história sobrecarregando o leitor de tudo o que ele deve saber ou pensar;
– Pode ocorrer um desequilíbrio entre o tipo de informação, a entidade narrativa e a idade dos destinatários.

Para acessar a próxima chave clique aqui. (a partir de 01/10/2020)

.

.

.

.

 

.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s