[resenha] Siete llaves para valorar las historias infantiles, parte 5

Resenha. Siete llaves para valorar las historias infantiles. Teresa Colomer.

Imagem de capa. Livro “Siete llaves para valorar las historias infantiles”, organizado por Teresa Colomer.

Resenha escrita por Fabiana Pedroni.

Referência completa do livro resenhado: COLOMER, Teresa (org.). Siete llaves para valorar las historias infantiles. Madrid:Fundación Germán Sánchez Ruipérez, 2002.

O livro organizado por Teresa Colomer estabelece sete chaves para avaliar os livros infantis. Na parte 4, falamos sobre a quarta chave, que está na experiência estética visual e literária com o livro. Agora trataremos da quinta chave, que sai da experiência estética para a experiência de mundo a partir das vivências dos personagens. No final deste post você encontra o link para a próxima chave!

***

A quinta chave (capítulo 5) trata da experiência desenvolvida pelo leitor a partir da vivência dos personagens. O título do capítulo é “Ser otro sin dejar de ser uno mismo”, que dizer, como se tornar outro sem deixar de ser si mesmo. Este título resume bem a chave, pois explicita novos modos de se vivenciar o mundo, como que numa “terceira área”, com a consciência de si, mas também através da consciência que se ganha da trajetória dos personagens.

Para que essa quinta chave funcione bem, o capítulo explicita, assim como nos anteriores, o que deve ser levado em consideração.

O primeiro ponto em destaque, é o modo como um personagem se conecta com a realidade, o quão verossímil ele pode ser para conseguir alcançar o leitor. Dessa forma, o modo como um personagem se apresenta é de extrema importância.

Como o personagem se apresenta: Por um nome próprio ou um nome comum? Com ou sem traços individualizadores? Se pensarmos em “Willy el tímido”, ele se apresenta já na capa e seu nome carrega uma característica de personalidade que cria empatia. Há que se perguntar também se há uma descrição física do personagem, uma biografia ou retrato psicológico.

Além disso, a indumentária pode se tornar um indício para averiguar o caráter do personagem, classe social e estilo de vida (p.122). É possível também fazer a descrição pelo negativo, por aquilo que o personagem não é.

O mais comum é ter um desenvolvimento progressivo das características dos personagens, intercalado por diálogos e situações.

Na literatura infantil há outro elemento importante também para a apresentação do personagem: a ilustração. No caso de Willy el tímido, ele já está na capa, e sua vestimenta o caracteriza de um modo coerente com a narrativa e desenvolvimento do personagem.

O segundo ponto a ser considerado está em quem conta ao leitor as informações:

– Os paratextos que acompanham o texto, como informações na capa, orelhas, lombada, miolo, página de rosto, sumário.

–  O próprio personagem oferece informações de si, por relato, mostra cartas, diário etc. “Quando é o próprio personagem quem fala de si mesmo, a verossimilhança de sua voz é importante” (p.126). A imagem que o personagem tem de si nem sempre precisa coincidir com a imagem que o leitor tem dele.

– Outros personagens que formulam juízos sobre os demais. Isso auxilia o leitor a ter uma ideia mais completa de como eles são e as relações entre os personagens.

– O que o narrador conta sobre os personagens depende do tipo de voz eleita, se é um narrador-protagonista, narrador omnisciente, aquele que reforça empatia, curiosidade, ou o narrador distanciado, em terceira pessoa, que não julga e limita-se a mostras o que se sucede “como se fosse uma câmera que registra seus pensamentos” (p.129).

Apresentados os personagens, agora é possível desenvolver a experiência literária no leitor, que é o terceiro ponto.

Agora os personagens permitem explorar a realidade, aprender “sobre os sentimentos, intenções e condutas humanas” (p.129). Abre-se um leque de possibilidades sobre como possa ser o mundo, e mais, “transcender os limites das capacidades humanas” (p.131). Através da ficção, pode-se voar, ser invisível, falar com animais, ler pensamentos.

“A ficção infantil atende especialmente à necessidade de fugir das limitações próprias da infância, de ser mais poderoso que os adultos, escapando do habitual sentimento de impotência e de estar à mercê deles. Por isso são tão atrativos os personagens autônomos como Pippi, os que vencem os adultos como Harry Potter ou como Jorge (em La maravillosa medicina de Jorge), os que são mais clarividentes ou imaginativos que eles, como Úrsula (em Los tres bandidos)(…)” (p.131)

Por fim, essa experiência literária também fornece uma oportunidade de transgressão, pode experimentar as normas sem correr o perigo das consequências.

“Seja fundido com o protagonista transgressor, ou fascinado pelos terríveis adversários e malvados dos contos, as crianças podem adentrar no terreno do ‘mal’ sem assumir um desastre, um perigo ou castigo. Entender as normas significa compreender o porquê destes limites, para o qual é indispensável explorar suas fronteiras” (p.131)

Há também que se pensar, dentro da ideia de experiência com o personagem, qual a “classe” dele. Nesse sentido, de acordo com Colomer, há muitas classificações, como: personagens protagonistas ou secundários, personagens planos ou redondos, personagens estáticos ou dinâmico, os heróis, adversários, ajudantes etc. Além, também aqueles de representação arquetípica e dos estereótipos, “que respondem a um retrato prefixado e que seguem um modelo de conduta previsível”. (p.132).

Em relação aos personagens planos ou redondos, explica que um personagem é plano “quando se constrói em torno de uma ideia ou qualidade única, como valentia, astúcia, beleza etc.); já um personagem será redondo quando há “toda uma série de traços psicológicos e morais e pode apresentar-se com ambiguidades e contradições, ou crescer na medida em que transcorre a história.” (p.134). A complexidade dos personagens também pode ser medida por sua capacidade de evoluir ao longo da história. “Os personagens estáticos mantem seus atributos, normalmente escassos, sem modificá-los até o final, enquanto os dinâmicos abandonam o relato tendo mudado sua personalidade.” (p.135)

Quando se fala de personagens com tradição, há que se pensar de que imaginário eles fazem parte, quais os traços característicos dentro desta tradição.

Por fim, o capítulo 5 traz os “Problemas dos personagens” (p.139):

– Pode acontecer do protagonista ter pouca importância ou ser muito pouco individualizado e logo será esquecido pelo leitor
– Pode ser que o leitor fique desorientado se não houver coerência entre as características do personagem e aquilo que ele fala, atua ou pensa, no caso de um personagem mal construído.
– Pode acontecer do número de personagens ser excessivo ou pouco atrativo aos leitores de certa idade
– Pode ser que uma obra realista de dimensão psicológica que requer personagens redondos, apresente personagens planos ou estereotipados, não construídos com a profundidade necessária
– Pode ser que em obras fantásticas contemporâneas, que requerem figuras planas e arquetípicas, apresente personagens-fórmula cuja força simbólica se tenha esgotado por uso em excesso. O leitor pode ficar “enjoado ao encontrar uma menina branca e angelical que simboliza inocência”
– “Pode ocorrer que os personagens de obras escritas no passado não correspondam aos valores sociais atuais. O racismo e os estereótipos estão presentes na construção de personagens de muitos clássicos sem desmerecer a qualidade literária. O leitor se veria beneficiado com sinais de alerta e com informações sobre o contexto que o permita julgar estas construções em sua dimensão histórica.” (p.139)

2 pensamentos sobre “[resenha] Siete llaves para valorar las historias infantiles, parte 5

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