Dias de Feira

Caderno de Anotações, p. 077, 29.12.2011 [e]

Apontamento I, p.32

O sussurro do corte sobre o vidro. O distanciamento presencial…motivos tentadores para a busca no âmago das palavras a reverberação do querer. Desejar uma eterna incompletude. Fechar em si mesmo. Extremos. Questões que tendem ao erro. Conhecer pelo pensamento, intuição pela carne.

É na leitura que encontramos mais e mais coincidências. Ultrapassa-se a neblina para encontrar-se, com apenas um olho aberto em meio a cerração.

Olhe, observe como tudo entra em confluência: “interrogar-me sobre o que possa ser o indeterminado onde se cruzam nossos olhares e se confrontam nossas percepções” (Caderno de Anotações, p. 064, referente ao Visível e o Invisível, Merleau-Ponty, p. 55). Ou então “(…) com maior proximidade, do que se trata o ‘vazio’ como o aberto de possibilidades” (Caderno de Anotações, idem, p. 065). Ou ainda, “(…) voltamo-nos para o que seja Mundo, Verdade e o Ser em sua cumplicidade” (Caderno de Anotações, p. 069).

Entendes a profundidade de nossas questões inexistenciais? Cruzar os olhares em meio ao vazio, sem a intenção de preenchê-lo, para que permaneça o aberto de possibilidades.

Palavras recorrentes e até repetitivas em nosso atual vocabulário, mas perfeitamente convenientes e desejáveis.

Desejo, enfim… a incompletude.

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